Revisão por pares

Todo artigo publicado na brazilian science communications passa por revisão por pares, inclusive os encomendados pelos editores. Nada é publicado apenas pela reputação do autor.

O modelo

A revisão é simples-cega: os revisores sabem quem são os autores; os autores não sabem quem são os revisores, a menos que o revisor decida assinar.

Não usamos revisão duplo-cega, e a razão é específica desta revista. A síntese de um campo costuma ser escrita por alguém que passou anos nele, e a própria lista de referências do manuscrito torna a autoria evidente. Ocultar um nome que o texto revela no terceiro parágrafo seria formalidade, não proteção.

Os revisores podem assinar seus pareceres, se quiserem. Em linhas gerais, um parecer assinado pesa mais junto aos autores e custa mais ao revisor; deixamos a escolha com ele e nunca revelamos identidade sem autorização.

Quem revisa

Cada manuscrito vai para pelo menos dois revisores. Quando a síntese atravessa campos — e muitas atravessam —, procuramos um revisor de cada lado, em vez de dois do centro.

Os revisores são escolhidos pela competência no campo sintetizado, não pela senioridade. Evitamos coautores recentes, colegas da mesma instituição e qualquer pessoa em relação evidente de competição ou colaboração com os autores. Os autores podem sugerir revisores e podem pedir a exclusão de pessoas específicas; os dois pedidos são levados a sério, e nenhum deles é vinculante.

O que pedimos que os revisores julguem

As perguntas são diferentes das que um artigo de pesquisa suscita, e nós as declaramos explicitamente no convite:

  • A afirmação sobre o campo está correta? Não se cada estudo citado é sólido, mas se a síntese enuncia com exatidão o que o conjunto dos trabalhos estabelece.
  • Falta algo importante? Síntese que omite o trabalho que a contraria não é síntese.
  • A linha entre assentado e contestado está no lugar certo? Superestimar o consenso e fabricar controvérsia são faltas igualmente graves.
  • A evidência de cada afirmação é rastreável? O leitor precisa poder ir de uma frase aos estudos que a sustentam.
  • Isto seria útil a quem está entrando no campo? É esse o público.

Não pedimos que os revisores julguem novidade no sentido usado para artigos de pesquisa. A originalidade de uma síntese está na formulação, não nos dados.

Confidencialidade

Manuscritos em avaliação são documentos confidenciais. Os revisores não devem compartilhá-los, usá-los ou discuti-los com terceiros, nem usar material não publicado para avançar o próprio trabalho. O revisor que quiser consultar um colega deve pedir ao editor antes; o colega é então nomeado no parecer e fica sujeito aos mesmos termos.

Revisores que usarem qualquer ferramenta de inteligência artificial na preparação do parecer devem declarar isso. Subir um manuscrito em avaliação para um serviço público de IA é quebra de confidencialidade e não é permitido.

Conflitos de interesse

O revisor deve recusar o convite quando tiver interesse financeiro, profissional ou pessoal que um leitor razoável consideraria capaz de afetar seu julgamento, e deve informar ao editor as relações menores em vez de decidir sozinho se elas importam.

Pareceres

Os autores recebem o texto integral de todos os pareceres. Os editores não os resumem, filtram nem suavizam; quando um parecer é descortês em vez de crítico, o editor o devolve ao revisor para reformulação em vez de repassá-lo.

A decisão é do editor, não de uma contagem de votos. Dois pareceres favoráveis não obrigam à aceitação e um parecer contrário não obriga à recusa — mas a decisão que contraria os pareceres é explicada ao autor.

Reconhecimento

Os revisores que concluem um parecer recebem um reconhecimento formal que podem citar.