Sobre a Revista
A brazilian science communications (bsc) publica sínteses selecionadas da pesquisa brasileira.
Cada Síntese é um artigo revisado por pares em que pesquisadores de primeira linha destilam o estado da arte de um campo investigado no Brasil — o que se sabe, o que está em disputa e para onde o campo caminha. Uma síntese é trabalho original, mas sua unidade é o campo, não o estudo. Onde um artigo de pesquisa relata o que um grupo encontrou, uma síntese enuncia o que um conjunto de trabalhos — dezenas ou centenas de artigos, muitas vezes de gente que discorda entre si — hoje estabelece. Essa afirmação não pertence a nenhum artigo isolado, e formulá-la é a contribuição original. O que uma síntese não traz são experimentos novos nem dados novos. Ela é o mapa deles.
Nossa premissa é simples. O Brasil produz ciência de nível mundial numa gama excepcional de assuntos — biodiversidade, agricultura, energia, saúde pública, clima, política social —, mas essa produção está espalhada por milhares de revistas e raramente é visível como um todo. A revista existe para concentrá-la: um único lugar onde os achados essenciais da pesquisa brasileira são sintetizados, em inglês, para a comunidade científica internacional que hoje encontra essa pesquisa em pedaços dispersos, e para os próprios pesquisadores brasileiros, com frequência os últimos a enxergar o conjunto do que seu campo produziu.
A seleção é o valor central da revista. Os autores submetem artigos prontos; não há etapa de proposta. Os editores também encomendam sínteses diretamente, e toda peça — submetida ou encomendada — passa por revisão por pares. A revista é de acesso aberto: ler é gratuito, para qualquer pessoa, em qualquer lugar. A publicação é sustentada por uma taxa modesta de processamento de artigo (R$ 400 por artigo publicado). Os artigos são publicados em inglês e aparecem de forma contínua, cada um assim que fica pronto: não há fila de fascículo nem calendário fixo.
Por que esta revista existe
Os programas de pós-graduação brasileiros produziram 754.576 artigos distintos entre 2021 e 2024. Onde quer que essa produção possa ser medida, ela é forte. Cerca de metade dela — 382.045 artigos — é classificada pela Scopus ou pelo Journal Citation Reports, os dois sistemas pelos quais o resto do mundo lê os periódicos; e quase metade desses, 47,6%, está em periódicos de primeiro quartil. São 181.790 artigos, um quarto de tudo o que o país produziu.
Um quarto da produção de um país no quartil superior da ciência mundial não é feito periférico, e cobre uma gama excepcional: biodiversidade, agricultura tropical, arboviroses, redes renováveis, saúde pública, clima. A metade que não pode ser medida também não é a metade fraca — quase seis em cada dez desses artigos estão escritos em português e, da produção que nenhuma base internacional alcança, mais de nove em cada dez estão. O periódico brasileiro carrega algo próximo da metade da produção nacional. O que falta a essa metade não é qualidade; são leitores. Lido isoladamente, cada artigo é uma contribuição. Lidos em conjunto, seriam o mapa do que um país continental sabe sobre biodiversidade, agricultura tropical, arboviroses, energias renováveis e muito mais. Esse mapa não está sendo desenhado, porque não existe um veículo cuja função seja desenhá-lo.
É essa a lacuna que a revista foi criada para preencher. Não para competir com as revistas onde a pesquisa brasileira é publicada — elas fazem o trabalho delas —, mas para sintetizar o que essa pesquisa, tomada como um todo, hoje estabelece. As sínteses são escritas pelos próprios pesquisadores, em inglês, para que o mapa seja legível onde está o público.
Acesso aberto
Tudo o que a brazilian science communications publica é gratuito para ler, desde o momento da publicação, sem embargo, sem assinatura e sem cadastro.
Licença
Os artigos são publicados sob licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0). Qualquer pessoa pode ler, baixar, copiar, distribuir, traduzir, minerar e construir sobre eles, inclusive comercialmente, desde que os autores e a publicação original sejam creditados.
Os autores mantêm os direitos autorais de seu trabalho, concedendo à brazilian science communications o direito de primeira publicação.
Preservação
O conteúdo é preservado na PKP Preservation Network, um arquivo independente. Se a revista deixar de publicar, os artigos continuam disponíveis.
Processo editorial
Esta página descreve o que acontece com um manuscrito desde a chegada até a publicação ou a recusa. Vale igualmente para sínteses submetidas e encomendadas.
As etapas
- O autor submete o manuscrito e recebe um número de acompanhamento.
- O editor-chefe avalia o manuscrito e designa um editor associado cuja área esteja mais próxima do assunto.
- O editor associado decide se envia o manuscrito para revisão. Em caso negativo, o autor é informado diretamente e sem demora.
- O editor associado convida os revisores e o autor é avisado de que a revisão começou.
- Os revisores enviam seus pareceres.
- O editor associado toma a decisão, consultando o editor-chefe quando os pareceres divergem.
- O autor recebe a decisão acompanhada dos pareceres na íntegra.
Avaliação inicial
Todo manuscrito é lido por um editor antes de qualquer decisão. A primeira pergunta não é sobre qualidade, e sim sobre adequação: isto é uma síntese de um campo, ou é um artigo de pesquisa, uma revisão de literatura, um ensaio? Um manuscrito que relata dados novos, ou que cataloga a literatura sem dizer o que ela estabelece, é recusado nesta etapa independentemente do mérito — ele pertence a outra revista, e dizer isso em uma semana é mais útil ao autor do que dizer em três meses.
A segunda pergunta é se o campo é um daqueles em que a pesquisa brasileira lidera ou é indispensável. Esse é o escopo da revista, e ele é aplicado com rigor.
Manuscritos recusados sem revisão recebem uma justificativa escrita. Não enviamos carta padronizada.
Formatação na submissão
Os manuscritos não precisam seguir nossas exigências de formatação na submissão inicial. Aceita-se qualquer formato legível, desde que texto, referências e figuras estejam completos. A formatação só importa na aceitação.
O que pedimos na submissão: o resumo dentro do limite indicado, as referências completas o bastante para serem conferidas e — se a síntese se apoia num conjunto delimitado de literatura — uma nota sobre como esse conjunto foi reunido.
Sínteses encomendadas
Os editores encomendam sínteses diretamente. A encomenda é um convite para submeter, não uma aceitação: manuscritos encomendados passam pela mesma revisão e podem ser recusados. Os autores são informados disso no convite.
Decisões
São quatro os desfechos possíveis: aceitar, revisão menor, revisão maior, recusar. Não há quinta categoria nem suspensão por prazo indeterminado.
Um pedido de revisão maior não é recusa disfarçada. Significa que os editores consideram que a síntese deve existir e que os pareceres dizem o que precisa mudar para que ela seja publicável.
Autores que discordarem de uma decisão podem recorrer uma vez, por escrito, ao editor-chefe. O recurso precisa responder ao mérito dos pareceres. É lido por um editor que não participou da decisão original.
Prazos
Assumimos estas metas e publicamos nosso desempenho em relação a elas:
- Primeira decisão: vinte dias a partir da submissão. É a avaliação editorial — se o manuscrito vai para revisão ou é recusado.
- Revisão por pares: sessenta dias do início da revisão até a decisão.
- Publicação: dez dias a partir da aceitação.
Um manuscrito que percorre o processo inteiro tem, portanto, decisão em cerca de oitenta dias e aparece dez dias depois.
Quando uma meta vai ser descumprida, o autor correspondente é avisado antes de o prazo vencer, com a justificativa.
Depois da aceitação
Os manuscritos aceitos são copidescados, diagramados e marcados em JATS XML. Os autores aprovam a versão em PDF antes da publicação. Os artigos são publicados de forma contínua, à medida que ficam prontos — não há fila esperando um fascículo encher.
Cada artigo recebe um DOI e é depositado no Crossref na publicação.